Encontro da ASCO 2020 apresentou inovações para tratamento de câncer

Encontro da ASCO 2020 apresentou inovações para tratamento de câncer

Com o tema: "Unir e conquistar: acelerar o progresso juntos", médicos do mundo inteiro se reuniram para discutir as novidades no tratamento de diferentes tipos de cânceres no maior congresso sobre oncologia do mundo promovido pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica – ASCO

Por Ingrid Oliveira 

 

Nos dias 29, 30 e 31 de maio, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica – ASCO promoveu mais um encontro anual com médicos do mundo todo para apresentarem os resultados de ensaios clínicos que beneficiarão os pacientes de câncer. Em decorrência da pandemia da COVID-19, a reunião que aconteceria inicialmente em Chicago (EUA) foi migrada para o âmbito digital. 

Muitos brasileiros participaram das aulas, dentre eles a Dra. Paula Cacciatore Bes, Médica Oncologista da Clínica São Germano. 

Nossa equipe quis entender de perto quais são as impressões sobre o primeiro ASCO virtual e quais as novidades para os pacientes de câncer, confira:

Instituto Espaço de Vida: O ASCO foi impactado por ser virtual?

Dra. Paula: "Sim. Embora a organização da ASCO tenha feito um grande esforço para disponibilizar as apresentações orais e pôsteres on demand já a partir da sexta-feira (dia 29/05), os vídeos e slides das apresentações não carregavam. Houve muita dificuldade de acesso no primeiro dia, acredito que pela alta demanda de oncologistas de vários países conectados simultaneamente. A partir do segundo dia o problema foi resolvido e conseguimos acessar todo o conteúdo do congresso. Também fez falta a interação entre oncologistas do mundo todo, o que possibilita troca de experiências e maior aprendizado". 

 

Por outro lado, a Daniela Jafet Bevilacqua Heinemann Cohn, Oncologista Clínica e Especialista em Aconselhamento em Predisposição Hereditária ao Câncer, Médica do Grupo da Mama do Instituto do Câncer de SP- ICESP, Oncologista Clínica da Clínica São Germano, acredita que o ASCO não foi afetado por ser virtualmente 

Dra. Daniela: "Creio que não! Na verdade, na minha opinião, existem mais vantagens neste formato. Além de a agenda científica ter mantido-se ampla, abrangente e de altíssima qualidade, temos a oportunidade de assistirmos às aulas de nossas cidades, sem precisarmos nos afastar dos compromissos profissionais e pessoais, além de podermos acessar as aulas quando pudermos e repeti-las quando nos convir. 

O ponto negativo é perdermos o componente humano e social do evento que é sempre muito valioso, já que sempre muitos contatos são feitos para expandirmos nosso network".  

De maneira geral, apesar de alguns problemas técnicos, o objetivo geral do encontro da ASCO foi feito com êxito: trazer as novidades no tratamento do câncer. E um dos temas mais aguardado que foi apresentado foram os os avanços nos estudos para a imunoterapia e terapia-alvo. Além de discutirem o impacto do coronavírus para os pacientes com câncer e melhorias no acesso aos tratamentos. 

A, Dra. Daniela Jafet comenta o que foi apresentado para os pacientes de câncer de pulmão não-pequena células: 

Instituto Espaço de Vida: Para os pacientes de câncer de pulmão não-pequena células, foi discutido algum trabalho sobre terapia-alvo? O quão promissor o resultado pode ser para o tratamento? 

Dra. Daniela: "Em relação ao pulmão, teve o Estudo ADAURA, que creio que foi o mais importante de pulmão, o mais importante em relação a terapia alvo! Foi apresentado na sessão plenária e é uma estudo de adjuvância (Terapia adjuvante é um tratamento para o câncer realizado em adição à terapia primária, principal ou inicial).

 Eles randomizaram dois grupos de pacientes com CPNPC - Câncer Não Pequena Células - com mutações clássicas do EGFR (deleção do éxon 19 ou L858R em estágios IB, II e IIIA). Eles eram operados, e poderiam ou não receber quimioterapia adjuvante.

A droga estudada foi o Osimertinibe 80 mg, que era introduzido em um dos grupos: primeiro em até 10 semana após a cirurgia se o paciente não fizesse quimioterapia, em até 26 semanas se fizesse quimioterapia e o outro braço foi controlado por placebo. O tratamento poderia ser utilizado por até 3 anos.

Os dois grupos eram bem balanceados e 70% dos pacientes eram do sexo feminino.

O desfecho primário do estudo era SLD - Sobrevida Longe de Doença -  nos subgrupos em Estádio II e IIIA e o desfecho secundário foi SLD no grupo total e Sobrevida global.

Um comitê independente que realizava análises interinas não planejadas decidiu quebrar o cegamento do estudo, pois consideraram antiético não fornecer a droga para o grupo placebo, dado a enorme eficácia encontrada no grupo tratamento.

O estudo foi considerado tão impactante que mesmo se tratando de uma análise interina, foi apresentado na sessão plenária.

Todos os três grupos se beneficiaram e para o futuro espera-se aprovado para esta indicação no tratamento adjuvante!

Seria a primeira vez que uma terapia-alvo seria incorporada no cenário adjuvante. 

Ainda não temos, porém dados de Sobrevida Global devido a imaturidade dos dados!!!" 

A Dra. Paula Cacciatore Bes, Oncologista da Clínica São Germano, completa dizendo que "esse estudo necessariamente leva a uma mudança de paradigma no tratamento dos pacientes com doença localizada e mutação sensibilidade do EGFR, sendo o primeiro estudo de uso de inibidor de tirosina-quinase no cenário adjuvante com resultados positivo", o que pode significar uma esperança para os pacientes de câncer de pulmão de não pequenas células. 

Além disso, estudos promissores para o câncer de mama foram o FELINE e ALTERNARE. A Dra. Daniela comenta:

Dois dos principais estudos dos quais pude conferir são o FELINE e o ALTERNATE!

Na verdade eles não mudaram prática clínica , mas foram importantes pois justamente responderam a uma importante questão em relação ao tratamento neoadjuvante do  câncer de mama receptor hormonal positivo em mulheres menopausadas.

O ALTERNATE associou o Fulvestranto (medicamento) a um Inibidor da Aromatase - IA (enzima) o Anastrozol (medicamento) e o FELINE associou um inibidor de CDK4/6 (enzima). 

O ALTERNATE não conseguiu demonstrar benefício com adição de Fulvestranto em relação a neoadjuvância só com IA.

Já no FELINE, o Ribociclibe  em duas doses diferentes foi adicionada à neoadjuvância com Letrozol e o terceiro braço continha só o Letrozol . Os pacientes tinham receptor hormonal positivo e HER 2 negativo. O estudo era pequeno, com apenas 120 pacientes. Nos 3 braços as taxas de PEEP Score 0 foi semelhante, não mostrando benefício com a associação. 

A busca pelo melhor tipo de tratamento para os pacientes de câncer incentiva cada vez mais terapias que agem diretamente nas célular modificadas e causam menos impactos ou efeitos colaterais nos pacientes. Os resultados dos estudos e pesquisas para terapia-alvo são promissores e empolgam os especialistas.

 

Além dos estudos sobre novos tipos de tratamento, a Dra. Daniela Jafet, comenta sobre os ensaios em pacientes de câncer que contraíram o novo coronavírus, leia o relato: 

Houve uma apresentação oral (Dr. Jeremy Warne), representando o  grupo americano e canadense chamado CCC19(Cancer Consortium Covid-19), que avaliou 928 pacientes em 104 centros que entraram no estudo entre março e abri l/2020. A conclusão do estudo, foi que entre pacientes com câncer que pegaram COVID-19, houve uma maior taxa de morte e complicações pela infeccão. Entre os fatores de maior relevância, incluíram sexo masculino, idade avançada, ECOG 2 ou 3, neoplasia descontrolada em progressão. ECOG é uma escala que usamos para avaliação de performance status do pacinete!” 

O encontro da ASCO 2020 levantou uma discussão interessante sobre coronavírus e a segurança de pacientes com câncer. Sabe-se que essas pessoas são enquadradas no grupo de risco para o a Covid-19. Por isso é importante continuar seguindo as recomendações de isolamento social e proteção individual:

  • Só saia de casa em caso de necessidade; se sair, utilize máscara protetora, leve álcool gel e mantenha-se distante de outras pessoas.
  • Lave as mãos sempre que possível;
  • Higienize os produtos comprados; lave-os com água e sabão ou use álcool 70%.
  • Em caso de sintomas, informe seu médico antes de dirigir-se ao pronto socorro.

 

 

 

 

 

Ingrid Oliveira

Ingrid Oliveira

Jornalista em formação. Gosto de todos os assuntos e adoro contar histórias 

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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