Novembro azul: Alimentação como aliada

Novembro azul: Alimentação como aliada

“A cada minuto que passamos com raiva perdemos sessenta felizes segundos”

William Somerset Maugham

 

Foi com um gostoso sorriso, extraído após a leitura da frase acima que conquistei novamente aquele cliente que estava atormentado com a mais nova revelação de sua vida: o câncer de próstata.

Filho de pai com câncer, convivia com um fantasma, já que a hereditariedade aliada ao descuido, neste tipo de câncer se faz presente. Uma vida desregrada sem acompanhamento de saúde o acompanharam por mais de 4 décadas de vida, até que após a perda do pai, resolveu mudar o rumo de sua história e realizar um sonho...

Antes de chegar à nossa equipe, tinha passado por diversos tipos de charlatanismo virtual e se entupido de drogas para ganhar o corpo que queria cultivar dali para frente. Estávamos, agora, junto numa equipe multiprofissional há pouco tempo, pensando em um trabalho intensivo de foco e determinação para a realização correta de seu sonho, o campeonato de fisiculturismo. Treinamento intensivo e alimentação complexa estavam na base de sua rotina, mas ela seria alterada agora... para o tratamento da doença. Ele não se conformava, estava com raiva de si mesmo, era um jovem de 45 anos e não queria acreditar que estava entre os raros índices estatísticos da doença abaixo dos 50 anos de idade, mas seu exame gritava uma mensagem clara, cuide-se!

Não é possível precisar o que foi que “causou” seu câncer, se hereditariedade, se 40 anos de má alimentação e sedentarismo, o fumo que o acompanhou por muitos anos ou se uso de drogas hormonais para o fisioculturismo dos primeiros anos, mas sabíamos que agora, precisávamos tomar um rumo diferente. Diagnosticado precocemente, suas opções de tratamento eram amplas e confortantes, mas uma delas gerava muita dúvida, a terapia hormonal.

Com intenção de minimizar o impacto dos hormônios androgênicos (masculinos) seu oncologista optou por esta linha de tratamento, mas o medo de perder tudo aquilo que vinha buscando até então, a hipertrofia muscular, o fez procurar a opinião dos demais membros da equipe, em especial a da nutrição.

Particularmente, sempre opto pela preservação da saúde, expliquei que realmente ele precisaria mudar um pouco o seu foco, contudo não estávamos falando em abandonar seu sonho, mas talvez, alongar a trilha que leva à ele.

Expliquei que o que precisaríamos fazer, a partir daquele momento, era explorar toda a sua persistência e mudança para alavancar suas forças internas de defesa. Aliar à sua alimentação, fontes ainda mais densas de nutrientes e fitoquímicos que abastecessem seu estoque antioxidante e antiinflamatório e que ainda modulassem seus níveis hormonais, complementando o tratamento alopático. A terapia hormonal conta com possíveis efeitos adversos e os que mais o afligia eram aqueles de minha alçada profissional:  anemia, depressão e fadiga, ganho de peso e perda de massa muscular... ele tinha me procurado como responsável por ajudá-lo nesta empreitada, se eu topasse ele seguiria o tratamento.

Como já dizia Albert Einstein: “No meio da dificuldade, encontra–se a oportunidade” e, entregue aos nossos cuidados, equipe médica, nutrição e treinador físico fizeram um pacto: iríamos tratar a doença e levá–lo ao culturismo natural, modalidade saudável de fisiculturismo. Assim, elaboramos condutas bastante específicas que inibissem os temidos sintomas do tratamento do câncer. De minha parte, carreguei sua alimentação com alimentos energéticos, fontes de ferro, vitaminas B, C, A e D, muita fruta e verduras verde escuras para que se sentisse disposto e animado para o treinamento proposto, atividade esta, fundamental para evitar a fadiga e preguiça decorrente do tratamento. Caprichamos em moduladores naturais dos genes de detoxificação, como tomate, brócolis, couve, suco de uva, gengibre e chás como o verde, hortelã e funcho além dos calmantes para momentos de náuseas. Manipulei os níveis protéicos de sua dieta com uma alta carga de proteínas de alto valor biológico de origem vegetal, assim otimizava as refeições para o maior aporte antioxidante e evitaríamos a temida perda de massa magra. Usamos fitoterápicos como moduladores hormonais que inibiram os efeitos de depressão e o estimularam a continuar o tratamento, mesmo em sua fase mais complicada.

Tudo meticulosamente calculado, com a mesma determinação inicial, modificando estratégias a cada nova etapa, percorremos juntos um caminho exaustivo mas chegamos ao final e, quando notamos, lá estávamos todos nós aplaudindo um vitorioso no segundo lugar mais alto do pódio do campeonato paulista de fisiculturismo natural e supremo vitorioso no combate de sua doença.

 

“As forças naturais dentro de nós são o que verdadeiramente curam a doença.”

Hipócrates

 

Andrea Alterio

Andrea Alterio

Andrea Alterio é Nutricionista formada na Universidade São Camilo (SP) com especialidade em Oncologia Multiprofissional pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Mestre em Nutrigenética e possui outras 4 especializações em Nutrição Clínica, com ênfase em Metabologia e Bioquímica Médica, Nutrição Funcional, Obesidade e Esportes além de um Master em Nutrição Humana comportamental (coaching nutricional) em Roma, Itália.  Atualmente trabalha em consultório clínico, em São Paulo e Interior.

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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