Alimentação x Insuficiência Renal

Alimentação x Insuficiência Renal

O Pergunte ao Especialista de hoje é sobre alimentação x insuficiência renal. A Carol Rezende enviou um e-mail para o Instituto Espaço de Vida pedindo uma dieta para ficar bem longe da hemodiálise.  

Quem respondeu foi a especialista em Nutrição em Oncologia e Genômica Nutricional Andrea Alterio!

PERGUNTA

“Olá, boa tarde. Meu nome é Carol Rezende. Tenho insuficiência renal crônica há 4 anos. Graças a Deus ainda não precisei de hemodiálise. Gostaria que vocês me ajudassem com uma dieta diária pra me ajudar a ficar bem longe da hemodiálise. O que posso comer? Fico muito grata se conseguirem me ajudar.”

 

RESPOSTA

“O portador de insuficiência renal crônica deve se preocupar com a alimentação, mas nem por isso deve sofrer e se isolar do mundo gastronômico, não precisa e não deve viver à sombra da doença. A dieta de um paciente com insuficiência renal crônica pode se alterar ao longo do tempo sim, tudo depende do nível de funcionamento da sua função renal, para isso o monitoramento frequente da taxa de filtração glomerular é a melhor forma de acompanhar o nível da função renal. Em caso de progressão da doença alguns nutrientes devem ser reajustados às novas necessidades, sempre junto à um profissional de saúde. Mas, via de regra, se a doença renal é controlada e devidamente monitorada, saiba que você pode se beneficiar da mais variada e rica dieta alimentar ... sem medo, seja feliz!

O aspecto psicoemocional é fundamental na progressão de doenças, então nada mais importante que conhecer seus limites e saber fazer suas escolhas podendo ser livre e feliz.

Normalmente, por motivos óbvios de deficiência do órgão (rim), a dieta de um doente renal é ligeiramente controlada em valores de proteínas totais (sejam de origem animal ou vegetal), isso se dá como forma de prevenção ao esgotamento do trabalho renal. Importante, novamente ressaltar, que todo este controle deve ser feito sob monitoramento funcional periódico, pois todas as estratégias propostas podem ser reajustadas nas diversas fases da doença.

Consumo de proteínas de origem animal, principalmente as mais saudáveis como os peixes deve ser adotado e complementado pelas proteínas de origem vegetal como feijões, ervilhas, grãos de bico e lentilha, num delicado equilíbrio da quantidade ingerida.

A moderação do consumo de alguns micronutrientes como sódio, fósforo e potássio que apresentam sua eliminação prejudicada pela deficiencia de função renal deve ser prevista. Isso porque se os rins estão trabalhando de forma não ideal e não estão eliminando estes nutrientes normalmente, fica fácil entender que eles podem se acumular mais facilmente no corpo.

Como tudo na natureza, tanto a falta como o excesso podem fazer mal, então o controle de ingestão destes minerais deve ser feito, para evitar complicações metabólicas.

O controle do sódio se faz de maneira bastante fácil, por controle da quantidade do sal de adição das preparações consumidas e, se feita a substituição de seu uso por temperos aromáticos, garante-se sabor e mais saúde às preparações.

Para um controle efetivo de sódio da dieta, a contagem dos teores de sódio descritos nos rótulos dos alimentos consumidos devem ser acompanhada a rigor. Mas de maneira bem facilitada quanto menos produtos prontos para consumo e mais alimentos in natura ingerir, mais controlada estará sua taxa de sódio.

O potássio é um mineral extremamente importante na saúde vascular e  ajuda no funcionamento adequado dos músculos e do coração. O excesso ou a falta de potássio podem ser muito perigosos então, seu consumo equilibrado se faz ainda mais fundamental. Este mineral pode ser obtido de maneira simples como através do consumo de vegetais in natura e pode ser eliminados dos alimentos através da simples cocção.

Os rins tem papel de eliminar o fósforo do organismo, se o órgão esta deficiente este mineral pode se acumular, então controlar o consumo de alimentos fonte deste nutriente pode ser uma boa estratégia de equilíbrio. Laticínios, leguminosas e oleaginosas são os alimentos de referência que devem ser moderados em consumo para o fósforo.

Importante ressaltar que até agora falamos em moderação, equilíbrio e nunca em eliminação de nenhum alimento da dieta. A menos que em estágio avançado da doença, as restrições alimentares não precisam ser praticadas indiscriminadamente, não é necessário preconizar a histeria alimentar. De modo geral, como pode-se notar, a dieta do portador de doença renal crônica tem por base a mais pura dieta saudável preconizada pela Organização Mundial da Saúde, que destaca o consumo de 5 porções de alimentos in natura ao dia, com bastante variação de cores e sabores e muita vida no prato.

Consumo de peixes, ovos e laticínios fornecem boas fontes de proteína, devem ser consumidas em 2 porções deste grupo alimentar ao dia. Três a quatro porções semanais de pescada, tilápia, sardinha e salmão grelhados ou no forno seria a conduta mais adequada ao consumo protéico animal, nos outros dias, varie entre carnes vermelhas (importante fonte de ferro) e carnes brancas e, lembre-se de tempere as carnes com ervas, legumes e frutas como limo para garantir sabor às preparações. Incluir 1 porção de laticínios ao dia, proporcionará um bom controle do consumo de proteinas do dia e garantirá um bom consumo de cálcio na dieta.

Os vegetais nos trazem sabor, fibras, vitaminas e minerais, quanto mais variados e coloridos mais benefícios adquirimos, assim 5 porções ao dia cumprem esta tarefa. Não se desespere, as cinco porções são bastante simples, como o consumo de frutas 4 vezes ao dia e um bom prato de salada mista com folhas, verduras e legumes pelo menos 2 vezes ao dia. Importante lembrar que ao preparar os legumes cozidos em água tem-se a perda de alguns nutrientes, dentre eles o potássio, estratégia importante para quem deve ter este nutriente bem controlado, no entanto, caso não haja esta necessidade, prefira o cozimento à vapor para garantir a preservação dos nutrientes em geral.

Incluir o consumo de cereais (importante fonte de fibras) torna-se fundamental, uma vez que o controle de glicemia e insulina pode ser prejudicado num paciente renal. Então consuma 3 vezes ao dias os cereais como arroz (vermelho, selvage, negro), aveia, trigo, cevada e as sementes em suas refeições.

O uso de óleos como azeite de oliva são fundamentais para saúde vascular que interfere também na saúde renal, além de fundamental fonte de energia ao corpo, então os alimentos fonte de gorduras saudáveis não podem ser esquecidos como o abacate e as castanhas. Um punhado de castanhas ao dia podem trazer benefícios inigualáveis à saúde, sem que precise se preocupar demais com os níveis de fósforo, se bem controlado. O azeite deve ser usado preferencialmente cru no tempero dos alimentos e as preparações em geral não precisam levar este ou outro óleo. Adquira o hábito de refogar os alimentos em água com alho e cebola, assim mais saudável será sua refeição.

De modo geral, sempre que bem monitorada a saúde renal, a dieta deve privilegiar alimentos frescos, in natura, e descartar os industrializados. Com esta ação, já se elimina da rotina alimentar o excesso de sal e açúcar, comuns nos cardápios modernos e nocivos ao portador da doença renal.

Não se esqueça, o acompanhamento médico é fundamental para que finos ajustes das quantidades de nutrientes da dieta se procedam de forma alinhada à real saúde do seu rim”.

 

Andrea Alterio

Andrea Alterio

Andrea Alterio é Nutricionista formada na Universidade São Camilo (SP) com especialidade em Oncologia Multiprofissional pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Mestre em Nutrigenética e possui outras 4 especializações em Nutrição Clínica, com ênfase em Metabologia e Bioquímica Médica, Nutrição Funcional, Obesidade e Esportes além de um Master em Nutrição Humana comportamental (coaching nutricional) em Roma, Itália.  Atualmente trabalha em consultório clínico, em São Paulo e Interior.

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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