Um novo começo: como encarar o câncer?

 Imagina você ter uma vida feliz e saudável, longe de qualquer vício, e de uma hora para outra tudo virar de cabeça para baixo? Foi exatamente o que aconteceu com a Júlia, personagem desta história.

 Aos 33 anos ela foi diagnosticada com câncer de rim e sua vida mudou completamente. Casada, mãe de duas meninas, Sara, de sete anos e Estar de cinco anos, Júlia fazia uma ultrassonografia de rotina dos ovários e, inicialmente com um rim ectópico – refere-se a um rim em qualquer lugar que não seja a fossa renal – a médica que fazia o exame optou por analisar, também, o direito. E foi neste momento que a especialista percebeu uma alteração no rim direito. Se tratava de um nódulo que possuía vascularização central e periférica.

 

Júlia mais que depressa mostrou o laudo da ultrassonografia para seu esposo e ele a alertou de que poderia se tratar de um câncer. Sem nenhum histórico familiar de câncer e vida saudável, como haveria de ter câncer? Sabe quando parece que jogaram um “balde de água fria” e você leva um choque? Foi assim que ela se sentiu:

 

“Eu fiquei arrasada, mas na esperança de que não passasse de um cisto renal”.

 Ao procurar um especialista que Júlia recebeu a confirmação do que suspeitavam: lesão neoplásica, e provavelmente muito agressiva. O médico que acompanha o caso disse que não havia outra solução a não ser a retirada do tumor.

 

A fase da descoberta do câncer pra mim foi a pior. Todos me olhavam com pena como se eu realmente estivesse no fim da vida. Entendi que o problema do câncer, além da própria doença, é o modo como as pessoas te vêem e te tratam. As pessoas tinham medo de conversar comigo, de falar sobre o assunto e ficavam assustadas sempre quando alguém me perguntava qual era o meu problema de saúde e eu dizia: câncer de rim”.

 

Como encarar o câncer? De onde tirar forças? E se você precisasse de ajuda e sua própria mãe se afastasse? Foi isso que aconteceu quando Júlia recebeu o diagnóstico: 

 

A minha mãe se afastou um pouco, creio que as pessoas têm maneiras diferente de encarar determinadas situações e a dela foi se afastar. MInha mãe tinha muita vergonha quando eu falava que estava com câncer”.

 

Mas ela não estava sozinha, seu marido e filhas foram a motivação e deram todo apoio necessário. Foi aí que Júlia encontrou forças para encarar de frente o diagnóstico e enfrentar o câncer:

 

“Meu marido e minhas filhas foram tudo pra mim. A família do meu marido esteve também ao meu lado. Meus sogros se prontificaram a me ajudar de todas as formas possíveis. Sou extremamente grata por isso. A força pra enfrentar tudo isso veio de Deus, da minha família e dos meus amigos. Tive amigos que estiveram do meu lado nessa situação e sou grata pela ajuda de cada um deles”. 

 

Ao fazer a cirurgia de nefrectomia parcial do rim direito, a biópsia confirmou o carcinoma de células renais. Diferente de outros tratamentos, Júlia não precisou de quimioterapia ou radioterapia, tratava-se de um tumor de 4 centímetros que foi retirado. Agora ela faz exames contínuos periodicamente para controle.

 

Às vezes não é de todo mal olhar o lado positivo das coisas. Júlia levava uma vida de reclamações e só via coisas negativas. Quando recebeu o diagnóstico, procurou não questionar sua fé e nem os motivos para isso acontecer:

 

“Nunca questionei o motivo pelo qual eu tive que passar por tudo isso. Eu era uma pessoa reclamona de muita coisa antes do câncer e via mais o lado negativo do que positivo das coisas”.

 

Todo aquele medo e angústia de um diagnóstico de câncer fizeram parte da vida da Júlia desde que ela recebeu a notícia que estava com câncer. Mas há um momento nisso tudo que é muito individual, algo muito pessoal e que só cabe ao paciente: a decisão de desistir de tudo ou encarar um tratamento.

E Júlia escolheu viver. Ela decidiu lutar por sua vida, para cuidar de suas filhas e partilhar momentos com seus amigos e esposo. E é nessa hora que a pergunta “Como encarar esse diagnóstico?” se faz presente.

 

“Ao receber o diagnóstico de câncer eu pensei que iria morrer. Sinceramente, achei que era o fim da minha vida. Temi muito pela vida das minhas filhas, eu só pensava nelas e no meu marido, como iam viver sem mim caso eu morresse. Mas enfim, sobrevivi”. 

 

Re.si.li.ên.ci.a: Capacidade de adaptar-se aos desafios.

 

Se tem uma palavra para descrever Júlia, essa palavra é resiliência. Ela encarou de frente todo o pré-cirúrgico, o tratamento cirúrgico, o medo da morte e a ausência de sua mãe quando ela mais precisou.

 

A personagem desta história tinha a opção de aceitar o diagnóstico de câncer como seu fim, mas ela escolheu recomeçar:

 

“Passar por isso e sair bem foi um aprendizado enorme. Foi perceber que Deus realmente cuida de mim nos pequenos detalhes. e sempre penso: eu poderia ainda não estar sabendo que estava com essa doença e saber da pior maneira possível, quando não havia muita coisa a ser feita. No meu caso, o câncer não foi o fim, mas o início de uma vida plena e feliz. Agradeço a Deus pela oportunidade de me ensinar mesmo na dificuldade.”

Ingrid Oliveira

Ingrid Oliveira

Jornalista em formação. Gosto de todos os assuntos e adoro contar histórias 

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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