A depressão no paciente com câncer

A depressão no paciente com câncer

Depressão é uma condição que afeta tanto o corpo quanto as emoções do indivíduo.  Mas o que exatamente pode causar a depressão? E a pessoa com câncer, tem maior probabilidade de ter depressão?

Vamos entender melhor a depressão.

Nosso cérebro funciona através da troca de substâncias químicas entre os neurônios (celular que formam o cérebro).  Na depressão há falhas nesses mecanismos de troca, o que gera um mal funcionamento do cérebro. Esse mal funcionamento gera sintomas tanto físicos quanto psicológicos.

Porém é importante considerar que eventos ruins que acontecem na vida da pessoa podem gerar essa alteração física em nosso organismo.  Isso porque nosso corpo não é separado de nossa condição psicológica. Somos uma coisa só, corpo e sentimentos, um influenciando o outro.  Quando nos sentimos mal, normalmente paramos de nos comportar, e isso gera uma falta de consequências para o indivíduo, mantendo-o numa vida “vazia e sem sentido”.  Essas reações emocionais geram reações físicas e vice-versa.

Então, seja em função de uma mudança física, causada por um medicamento por exemplo, ou por uma condição muito difícil vivenciada pelo indivíduo, a depressão poderá se instalar.

Os principais sintomas da depressão são: apatia, desânimo, cansaço físico, tristeza, choro constante, pensamentos pessimistas, desesperança, irritabilidade, alterações do sono e apetite, sentimentos de culpa e inutilidade, pensamentos de morte, perda de interesse por coisas que gostava anteriormente.

A fundamental diferença entre a tristeza e a depressão é que quando acontece algo ruim acontece ficamos tristes, mas isso não impede de nos sentimos felizes frente a uma coisa legal.  Já na depressão, além dos sintomas de tristeza persistirem muito tempo, a pessoa passa a não sentir alegria mesmo em momentos bons.

Mas para o paciente com câncer, o que muda?  Continuamos com os dois mecanismos: o físico e o psicológico.  No caso do câncer é fundamental manter a atenção para a quimioterapia e alguns medicamentos, que podem ter a depressão como efeito colateral.

Porém a condição mais importante para o paciente com câncer é a forma com que irá enfrentar a doença.  Uma postura pessimista e apática irá estabelecer um cenário perfeito para o desenvolvimento da depressão.

Uma postura otimista, participativa no tratamento, buscando aproveitar o aprendizado sobre o funcionamento de seu corpo, poderá ajudar a superar as dificuldades advindas da doença.

Na depressão uma grande característica psicológica é a falta de ação.  A pessoa não quer fazer nada, não quer sair nem ver ninguém. Isso significa que, se ela não sai, o que ela terá como resultado?  Ficará o dia todo em casa, deitada no sofá, pensando na sua dor e na vida que está perdendo.

Caso ela saia, mesmo que esteja com desconforto ou um pouco de dor, existirá uma probabilidade muito maior de se distrair, encontrar alguém com quem conversar, ver uma paisagem bonita...

É importante pensarmos que o grande problema da falta de ação é a falta de consequências.  Não ter consequências irá manter a pessoa nos mesmos sentimentos de desânimo e apatia. Portanto a ideia é que o paciente possa se envolver em atividades que gostava, investir em novos hobbies, tentar resgatar atividades que possa fazer dentro de sua condição física e assim manter sentimentos e utilidade, esperança e bem-estar.

Muitas vezes nem o paciente nem a família percebem estes sintomas.  Ou mesmo consideram “normais” em função da doença. Mas nada disso é normal.

Embora estar doente mude muito a condição emocional do paciente, não é natural que ele perca o ânimo para a vida ou o prazer nas coisas que sentia.

Muitas vezes será necessário um tratamento medicamentoso específico para a depressão para amenizar os sintomas físicos.  Já para os sintomas emocionais a psicoterapia poderá auxiliar o paciente no que se refere a ensina-lo maneiras diferentes para enfrentar as dificuldades advindas da doença e do tratamento.

Portanto é fundamental manter atenção aos efeitos colaterais das medicações que podem ser confundidos com depressão – cansaço, fraqueza, desânimo. Na persistência dos sintomas é fundamental avisar o médico para adequação do tratamento.

Nada pode ser negligenciado:  nem o câncer, nem a depressão, pois ambas as condições se influenciam mutuamente.

Erika Scandalo

Erika Scandalo

Especialista em Psicologia Clínica, escreve sobre a vida e diferentes formas de aproveitá-la.  Acredita que a felicidade é consequência de uma visão proativa sobre as dificuldades.  Ser feliz é mais um olhar sobre o que se tem, do que ter tudo o que se quer. Site: www.erikascandalo.com.br

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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