Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2016 – Pontos altos do primeiro dia

Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2016 – Pontos altos do primeiro dia

O congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) é o maior congresso de oncologia do mundo, reunindo mais de 30 mil oncologistas e pesquisadores para discutir novas pesquisas e inovações no tratamento do câncer.

Hoje (3/06) foi o primeiro dia do congresso e vários pontos interessantes foram discutidos, desde avanços no conhecimento da biologia do câncer até desenvolvimento de exames e novos medicamentos. Abaixo eu discuto os pontos altos do dia de hoje, das sessões e discussões que acompanhei.

O congresso começou com uma sessão dedicada ao estudo da heterogeneidade dos tumores e de novos exames de sangue que possam indicar qual seria o melhor tratamento para cada paciente. O Dr. Charles Swanton, do Francis Crik Institute da Inglaterra, começou esta discussão fazendo um resumo sobre o que se sabe hoje sobre a evolução e modificação dos tumores ao longo do tempo. Os estudos apresentados mostraram que existe uma importante e expressiva mudança dos cânceres ao longo do tempo e do tratamento, e que essas mudanças fazem com que o tratamento pare de fazer efeito. Logo é importante desenvolver exames para identificar precocemente essas mudanças e adaptar o tratamento a elas.

Em seguida a Dra Melissa Lynne Johnson, do Sarah Cannon Cancer Institute, apresentou estudos sobre a detecção de mutações no câncer que podem ser feitas por um exame de sangue comum. A ideia deste método se baseia no crescimento desorganizado do câncer. Quando existe o crescimento desordenado, algumas células cancerígenas morrem, assim o seu DNA cai na corrente sanguínea. Estes exames são capazes de detectar os DNA dos tumores no sangue e verificar se existem novas alterações no tumor, ou seja, novas mutações. Assim, no futuro, esses testes serão capazes de dizer quando o tratamento deixou de funcionar e o momento correto para a troca de medicamentos. O primeiro destes testes de sangue acaba de ser aprovado nos Estados Unidos, ele busca a mutação do EGFR em pessoas com câncer de pulmão.

Na parte da tarde eu acompanhei a discussão sobre avanços no tratamento e da compreensão da biologia do câncer de mama com receptores hormonais positivos, ou seja, cânceres de mama que crescem estimulados pelos hormônios femininos normais. A Dra. Tonaley apresentou o resultado preliminar do medicamento Abemaciclib, um parente do medicamento Palbociclib, já aprovado, e em uso para mulheres com câncer de mama positivo para receptores hormonais. Neste estudo preliminar houve uma importante redução dos tumores em mulheres que já haviam sido tratadas com múltiplos medicamentos, em geral mais de três. Os resultados foram encorajadores e novos estudos comprovatórios foram iniciados para avaliar se este medicamento é melhor do que os que já dispomos hoje, ou se pode aumentar o efeito dos medicamentos atuais.

Em seguida houveram duas apresentações que buscaram entender porque os medicamentos hormonais param de fazer efeito depois de alguns anos ou meses de tratamento. Um estudo francês, apresentado pelo Dr. Clatot, e um estudo Inglês apresentado pelo Dr. Turner. Ambos os estudos demonstram que após o tratamento com bloqueadores hormonais existe uma modificação das células cancerígenas, que passam a apresentar uma modificação, uma mutação, do receptor hormonal, e esta mutação faz com que os medicamentos parem de funcionar. Isto ocorre em torno de 30% a 40% das vezes. Foi demonstrado também que quando isto ocorre pode ser necessária não apenas uma troca de medicamentos, mas o uso de dois medicamentos em conjunto, caso contrário o tumor escapa do efeito dos bloqueadores hormonais. Estudos confirmatórios estão sendo programados para avaliar o uso da combinação de inibidores hormonais em câncer de mama.

Estes foram os pontos altos do congresso que acompanhei hoje, amanhã trago novas notícias do segundo dia do congresso!

Dr. Felipe Ades

Dr. Felipe Ades

Felipe Ades é médico formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com especialidade em Oncologia Clinica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCa). Passou 5 anos na Europa onde adquiriu os títulos de mestre no Institut Gustave Roussy em Paris e doutor (PhD) no Institut Jules Bordet em Bruxelas. Trabalhou em diversos aspectos da pesquisa em câncer, desde estudos em laboratório, testes de novos medicamentos com pacientes e políticas de saúde e saúde coletiva em câncer. Atualmente trabalha no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Nas horas vagas é mountain biker e guitarrista amador e aspirante a alpinista. Website: drfelipeades.com

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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