Será que existe Refeição Perfeita?

Será que existe Refeição Perfeita?

Quinta-feira chuvosa, estava um dia feio e encoberto, típico daqueles a que damos margem à imaginação de ficarmos o dia todo encapsulados num mundo próprio em que ninguém terá acesso, curtindo o que seria uma solidão introspectiva, mas neste dia eu tive que sair. Era um dia em que estava perturbadoramente quieta, buscando um silêncio dentro de mim, buscava luz para meus pensamentos, quando durante o que deveria ser um almoço simples, despertei bruscamente para minha realidade.

Estava entristecida com alguns acontecimentos mas ao me deparar com esta história, percebi o quão grande deve ser nossa vida e como a devemos conduzir.

Estávamos sentados à mesa, almoçando calmamente quando um amigo de meu pai se aproximou, fizemos sinal para que se sentasse e logo iniciou-se uma conversa sobre uma hospitalização. Lancei discretamente um olhar para ele e percebi pontos de sangue extravasando por sua pele. Uma coloração amarelada e olhos opacos, porém dentro daquele cenário, uma bonita contradição, um brilho no olhar.

Ele continuou ali conversando, contando sobre sua última internação, como se um simples resfriado fosse. Eu logo percebi que tratava-se de algo mais sério, mas deixei a confirmação para depois.

Ele estava bem, feliz e otimista, como se tivesse ido ao médico confirmar a remissão de sua doença...mas uma única coisa lhe preocupava, sua anemia e coagulação sanguínea. Ele estava se sentindo fraco e cansado e as gotinhas de sangue também “assustavam” quem não o conhecia e ele precisava reverter aquele quadro para poder continuar seu trabalho.

Após o almoço perguntei o que aquele homem tinha, já o tinha visto antes, sempre alegre e decidido, mas nunca tinha parado para conversar com ele. Para minha surpresa me contaram que no final do ano passado tivera sido diagnosticado com um câncer terminal. Ele não passaria de 1 mês, segundo previsões mais otimistas dos médicos.

Mas não...ele resistiu firmemente e 8 meses após tal diagnóstico ele continuava ali, implacável, tratando a doença como se nada fosse. Com uma luz própria, difícil de apagar.

Para aquele primeiro tumor, uma cirurgia bem sucedida. Mas alguns meses depois outros viriam. Fígado, cólon e agora tireóide...para uma pessoa despreparada, um atestado de morte. Mas não para ele, que emanava vida.

Desde o início do ano ele vai e volta do hospital, outros tumores já foram identificados e para cada um deles um ataque pontual...uma nova oportunidade de vida.

Ninguém que não o conhece intimamente diria que aquele homem está doente. Talvez dia ou outro um pouco apático e cansado, coisas que podemos atribuir ao stress da rotina diária. Mas a entidade doença que se apossou de seu corpo não se instalou naquela alma.

Não, ele não está em negação, tão pouco tentando esconder seus medos com uma força externa aparente, ele simplesmente acredita na vida. Extremamente controlado, não se deixa envolver pelo universo da doença. Busca saber o estritamente necessário, sem se enveredar por artigos extraordinários ou amedrontadores da internet. Se coloca inteiramente a disposição de sua equipe de saúde e se interessa pelas informações daquela etapa a que se submeterá.

Conhece bastante sobre a doença, mas vive mesmo é de seu trabalho, alimenta-se de idéias e inovação no campo automobilístico e, este é o tipo de informação que busca diariamente e pelo qual se sente empoderado de si próprio, pois ali fará a diferença.

 

Aquele dia, ele falava placidamente de uma iodoterapia que tinha feito e que não havia surtido efeito mas se submeteria então, à uma radioterapia na semana seguinte. Tudo com uma tranquilidade e normalidade fora do comum.

O mais impressionante é que não era o semblante de um homem abatido, desestimulado como a maioria de nós nos sentiríamos, exame após exame, mas era um homem certo do que fazia, do que gostava e que se permitia viver.

Quanto a mim, fiquei atônita com tal força e controle emocional. Todas as vezes que havia cruzado com ele jamais notara que estava tão acometido pelo câncer, conversas triviais e risadas sempre rondaram os papos da mesa. Aquele dia só notara algo incomum externamente, pois seu corpo havia dado um sinal claro de que estava sofrendo algum efeito...no entanto, ele não.

Para aquele homem, um passo de cada vez e, naquele momento algumas orientações poderiam ser praticadas para complementar seu próximo tratamento médico. Foi aí que entrei na conversa.

A radioterapia a que se submeteria deveria vir acompanhada de uma alimentação muito rica em antioxidantes. Uma dieta leve, de pastosa a líquida que facilitasse absorção de nutrientes e ampliasse ainda mais seu bem estar, e segurança, deveria ser estimulada. Compostos fitoquímicos importantes deveriam ser levados em consideração como os flavonóides da uva, da cúrcuma (açafrão), do chá verde, café, do gengibre e outros. Todos eles preparados preferencialmente em sua forma líquida de shakes e sucos ou suchás, para garantir melhor aceitação, biodisponibilidade e a hidratação extremamente necessária para uma boa resposta radioterápica.

Como já havia feito uma iodoterapia, alimentos fontes de iodo poderiam ser mantidos em restrição por um pouco mais de tempo, como principalmente os alimentos de origem animal, mantendo um foco numa dieta mais rica em vegetais com maior aporte, portanto, de nutrientes antioxidantes e menor aporte glicêmico, porém ainda uma vertente da dieta cetogênica, com grande aporte de energia através das gorduras.  Tudo para amplificar ainda mais as margens bioquímicas de sinalização molecular e morte das células de câncer.

A suplementação por via oral deveria ser acompanhada, uma vez que não é possível impor à um organismo debilitado e inapetente, o aporte suficiente de antioxidantes defensores por via alimentar, assim a prática combinada de suplementos com alimentação deveria ser amplamente praticada. Para os efeitos colaterais sentidos pelo excesso de toxicidade imposto por tratamentos anteriores como a quimioterapia, como a anemia, fadiga e deficiência de coagulação sanguínea, incluir alimentos fonte de ferro, vitaminas C, B9, B12 e K são fundamentais para ciclo de correta produção dos fatores hematológicos.  

O jejum intermitente, tão famoso atualmente, também seria uma ferramenta estratégica a ser usada nos dias próximos à irradiação, os benefícios da restrição calórica controlada extravasariam o complexo modelo médico da radioterapia. E a restrição calórica neste caso, não se traduziria livremente, mas na correta manipulação de suas fontes, que trariam uma resposta adequada a todo o quadro daquele homem, amplificando ainda mais sua força interior e garra de lutar.

E assim foi, uma semana somente, mas os resultados somáticos e psicoemocionais surtiram efeito. Novos ciclos terapêuticos serão conduzidos, nutrindo uma alma, alimentando a virtuosidade de um ciclo maior que o celular, o ciclo de sua vida.

Quantos aniversários ele comemora? Até apresente data 4. E, sua busca incessante pela afirmação e renascimento não parará e até que algo superior determine, esta doença não lhe levará facilmente.

Para este homem, minha completa admiração, ele é a personificação de que...

 

“A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda.”

Oliver Goldsmith

 

Andrea Alterio

Andrea Alterio

Andrea Alterio é Nutricionista formada na Universidade São Camilo (SP) com especialidade em Oncologia Multiprofissional pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Mestre em Nutrigenética e possui outras 4 especializações em Nutrição Clínica, com ênfase em Metabologia e Bioquímica Médica, Nutrição Funcional, Obesidade e Esportes além de um Master em Nutrição Humana comportamental (coaching nutricional) em Roma, Itália.  Atualmente trabalha em consultório clínico, em São Paulo e Interior.

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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