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Gastrite: A dor que me tira o sono


15/05/2017

O texto desta semana da nutricionista Andrea Alterio é para você! Conheça a história da Mariana e anote as dicas da nossa colunista para você passar longe da famosa GASTRITE:

“A dor que machuca, é a mesma que ensina”

(Vinícius de Morais)

 

Mariana não conseguira dormir a noite, estava cansada e como sempre, estressada por sua rotina louca de trabalho, levantou apática e abatida, correu para a cozinha, virou um copo de leite e por breve instante teve uma sensação de alívio, que logo se dissipou trazendo à tona aquela dor excruciante que lhe acompanhava quase que mensalmente.

Sentia intensa dor abdominal, estava sofrendo por nova crise de gastrite (já não era uma novidade) e sem qualquer orientação profissional seguiu condutas encontradas na internet, mas nenhuma era de fato efetiva para ela. Com muito medo e dor chamou um táxi e foi ao hospital...chegando lá foi devidamente diagnosticada, atendida, medicada para inflamação bacteriana por H. Pilory e no momento da alta, encontrou com a nutricionista.

Agora pouco mais aliviada, poderíamos conversar melhor sobre sua rotina e alimentação e sobre as possíveis causas de sua dor. Ela tinha um especial interesse de imediato (imediatismo era uma palavra que a descrevia bem) sobre o que comeria durante aquela semana de tratamento, qualquer coisa que evitasse aquela dor alucinante que lhe tirara o sono e amenizasse seu pânico de incidir na mesma doença que seu pai, o câncer de estômago.

Minha intenção era estimular uma mudança de hábito de vida, fator crucial para o tratamento das causas daquela crise e prevenção da terrível doença neoplásica, mas resolvi iniciar aos poucos explicando o que tinha lhe acontecido. A mucosa intestinal é uma camada protetora do estômago que quando sofre agressão (seja o stress, sedentarismo, origem alimentar, medicamentosa, tóxica ou por contaminação bacteriana), acaba inflamando e gerando uma dor intensa que surge do contato direto dos ácidos digestivos com as células do estômago.

Curiosamente o tratamento para melhorar a mucosa de proteção gástrica é comer. Mas comer não causaria dor?

Sim e não! Ao ingerir um alimento, o estômago deve estimular as células a produzirem os ácidos digestivos (necessários para digestão) mas concomitantemente existe um inteligente mecanismo de defesa que estimula outras células a produzirem o muco, justamente para proteger a parede do estômago contra o agressivo, mas necessário, ácido clorídrico. De maneira correta, estimulamos a produção do muco que protege o nosso órgão e findado o tratamento medicamentoso, o estômago estaria apto novamente e em plena função.

Sem conseguir deixar de demonstrar a ansiedade, Mariana ia anotando no bloco de notas do celular todas as dicas que lhe eram passadas.

Alguns alimentos são naturalmente irritantes do tecido gástrico, portanto devem ser deixados de lado, evitados completamente neste momento e, de consumo moderado durante uma dieta normal.

Álcool, pimentas, condimentos fortes (principalmente os industrializados), cafeína presente no café e alguns chás, bebidas gasosas, frituras e produtos gordurosos ou muito protéicos (que demandam muito trabalho digestivo) seriam alimentos para ficar no lado escuro de sua lista naquele momento e, depois com moderação.

As bebidas alcoólicas, refrigerantes, doces em geral, frituras, linguiça, embutidos, bacon, carne de porco, carnes gordas, alimentos enlatados e em conserva e temperos como vinagre, pimenta, molho inglês, molhos prontos industrializados, ketchup, mostarda, caldos concentrados, molho tártaro, café, chocolate, chá preto, chá mate e chá verde deveriam estar em negrito em sua lista negra. Principalmente durante a crise gástrica.

Um pouco assustada, Mariana parecia não ver outras opções...de cabeça baixa sentia um misto de vergonha e medo de perguntar como faria.

Mas nem tudo era sombra...a lista branca seria maior, mais colorida e saborosa. A alimentação que ela deveria seguir era a mais leve possível, com boas porções de frutas, legumes e raízes. Alguns alimentos em especial deveriam entrar imediatamente, por possuírem compostos fitoquímicos protetores e anti-inflamatórios.

Chás calmantes e protetores como camomila, hortelã, alecrim, espinheira santa e gengibre entrariam em sua alimentação, poderiam ser tomados quentes ou frios com raspas de limão ou laranja o que aprimoraria ainda mais o sabor e proteção. O tempero industrializado seria substituído pelo clássico alho, cebola e ervas (manjericão, alecrim, orégano, etc), aquele refogado que nos remete aos tempos da vovó, deveria voltar a reinar em sua dieta, alimentos estes que tem propriedades antibacterianas importantes na proteção gástrica, além de impor sabor incomparável às preparações.

Verduras verde escuro como agrião, rúcula, espinafre e couve também tornam–se crucial no processo de tratamento, os legumes como brócolis, tomate, beterraba, cenoura, abobrinha, abóbora, dentre tantos outros, deveriam ser incorporados preferencialmente cozidos à vapor, para facilitar o trabalho digestivo naquele momento e as frutas também seriam muito bem vindas, com cuidado e moderação com a acidez da laranja, limão, abacaxi, neste momento de crise, as outras tantas, como frutas vermelhas, manga, banana, mamão, maçã, uva, pêra, ameixa… deveriam ser consumidas diariamente para garantir aporte anti-inflamatório e nutrientes importantes na recuperação tecidual.

Mas Mariana parecia ter uma dúvida sobre uma fruta que lhe agradava, a melancia. Esta, como melão, pepino, pimentão faz parte de um grupo de alimentos potencialmente indigestos, então deveriam ser consumidos com bastante moderação e de acordo com sua tolerância individual.

Seguindo uma dieta bem balanceada, os carboidratos das raízes como batata, batata doce, mandioquinha, mandioca… viriam para dar aporte energético e suporte nutritivo para o reparo da mucosa. O conteúdo protéico viria das carnes brancas, peixes e cogumelos, todos devidamente preparados com ervas frescas e sucos de fruta (limão e laranja) cozidos ou ao forno, sabor indiscutivelmente melhor que aqueles embalados em pacotinhos pronto para o consumo.

Iogurtes e queijos leves estão liberados, no entanto, o leite seria de consumo limitado e em seu formato desnatado. E, nesta hora, Mariana se lembrou do alívio momentâneo que sentiu ao beber o leite. A explicação era simples, ao beber leite a mucosa intestinal fica brevemente protegida da ação do suco gástrico (por diluição e por seu pH ligeiramente neutro), no entanto, é um efeito cinderela e causa efeito rebote por ser um alimento protéico e gorduroso, o estômago acaba produzindo mais secreção ácida e a dor retorna em instantes. Sendo, portanto, uma falsa impressão de tratamento.

Levantando os olhos da lista de alimentos, Mariana mentalizava algumas questões cruciais, como deveria se organizar, como seria esta dieta, como comeria tudo aquilo que a protege durante o dia.

Intuindo a pergunta, comecei a rascunhar o cardápio. A informação mais importante ali era o fracionamento das refeições, que deveriam acontecer a cada 2h, assim o estímulo de produção da mucosa aconteceria de forma contínua ao longo do dia, mas deveria acontecer em uma combinação de grupos alimentares de forma a favorecer digestibilidade, absorção e tratamento da gastrite. Esta conduta de fracionamento logo seria eliminada quando entrasse em dieta normal.

Assim de forma prática e resumida, orientação primordial para o café da manhã seria o consumo de um iogurte com uma fruta e aveia. Seguindo pela manhã fracionando os horários, um copo de suco verde e uma porção de castanha de caju com chá de hortelã e gengibre trariam fitoquímicos, proteção e saciedade. O almoço seria leve, uma salada de verduras e legumes cozidos com pequena porção de raízes e uma carne leve como peixe (preferencialmente). Bebidas deveriam ser evitadas durante a refeição. O abacaxi ou mamão poderia ser consumido como sobremesa digestiva, podendo ser servido o abacaxi dourado na canela para minimizar o efeito ácido da fruta.

A tarde seguiria com cerca de dois lanches, ambos acompanhados por uma xícara de chá de espinheira santa, maçã e canela e uma saladinha caprese (tomate cereja e queijo branco) ou uma pequena porção de açaí ou creme de abacate ou uma saladinha de frutas. Até 4 copos de água de coco poderiam ser bebidos ao longo do dia e, tudo junto seria um grato alívio dos sintomas e aporte antioxidante para o tratamento.

O jantar era o problema para ela, mas logo passou a encarar de forma diferente. De preparação rápida e fácil deveria ser feito por uma caprichada sopa de legumes ou omelete com legumes e cogumelos, acompanhada de uma doce sobremesa: uma fruta (banana, maçã...) levemente cozida com cacau e canela ou até mesmo um mingau de aveia que tanto a agradava. E, antes de deitar mais uma xícara de chá calmante deveria ser tomada, de forma a prepará–la para uma boa noite de sono e restauração.

Passado o período crítico de tratamento, as mesmas condutas poderiam ser seguidas com incorporação gradual e moderada de alguns temperos mais fortes como pimenta (sugeri a biquinho de início) que agradavam tanto seu paladar, assim como um cafezinho e o famoso limão diluído (em seu caso) em jejum entraria em sua rotina de proteção.

Ainda nada entusiasmada, Mariana foi embora se questionando se conseguiria seguir as orientações, quando uma pontada de dor a fez dobrar sobre seu abdômen e reler as orientações do cardápio que ainda estava em suas mãos.

Ao chegar ao fim percebeu uma última recomendação especial, que só não tinha sido proferida devido à sua agitação e pressa: Respire, hidrate–se, coma leve, viva leve, busque sua paz!

Percebendo o impacto daquela informação, que resumia uma conduta de vida, decidiu mudar sua rotina, aquela crise de gastrite a obrigara a entender que a alimentação e uma vida saudável e equilibrada seria a base para uma vida leve e sem dor.

Há cerca de um ano e meio, Mariana passou pelo hospital e nunca mais retornou, mandando apenas notícias periódicas de sua nova rotina, agora mais calma com a inclusão da culinária que lhe despertara sabores inesquecíveis. Ela se tornara uma aprendiz de gastronomia e dedicava–se fielmente à divulgação da dieta saudável e novo estilo de vida.

Vinícius de Moares estava mais uma vez correto em suas palavras e Mariana tatuou em sua parede aquela frase que lhe fizera mudar completamente a qualidade de sua saúde, vigilante, protegida e mais livre do medo da doença de seu pai, que lhe perseguia a cada crise de gastrite.

 

 

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Andrea Alterio é Nutricionista formada na Universidade São Camilo (SP) com especialidade em Oncologia Multiprofissional pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Mestre em Nutrigenética e possui outras 4 especializações em Nutrição Clínica, com ênfase em Metabologia e Bioquímica Médica, Nutrição Funcional, Obesidade e Esportes além de um Master em Nutrição Humana comportamental (coaching nutricional) em Roma, Itália.  Atualmente trabalha em consultório clínico, em São Paulo e Interior.

 

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