Paciente para paciente
Rinaldo Lauricella (São Paulo/SP)
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Sou administrador de empresas e tenho 61 anos. Câncer sempre foi uma doença que me parecia muito distante.
Pai de três filhos, aos 54 anos, trabalhava muito para manter o padrão de vida da família e dar o melhor para todos. Em 2003, ao urinar, percebi um tom muito avermelhado, diferente do comum. Não dei muita bola, imaginei que pudesse ser algum vaso rompido ou uma bobagem qualquer. Porém, um dia, novamente vi que tinha algo mais anormal. Um sangramento com uma substância espessa. Não era só urina. Foi quando decidi marcar um urologista para tentar entender o que poderia ser aquilo.
Depois de alguns exames, fui diagnosticado com um nódulo na bexiga de 22 mm. Tive medo quando o médico aconselhou uma cirurgia de emergência. Fiquei em pânico e preferi não contar nada para minha família. O que aumentou ainda mais minha aflição. Algum tempo depois acabei contando para minha esposa o que aconteceu. Afinal, tinha uma cirurgia a ser feita. Foi realizada a extração dos tumores por cistoscopia (cirurgia via uretra). Então, por seis semanas fiz um tratamento de BCG. Depois disso, retornei uma ou duas vezes ao médico até que este ano, fui surpreendido. Os sangramentos reapareceram.
Meu desleixo fez com que o novo diagnóstico fosse de um CA avançado, com metástase. Dessa vez foi preciso extrair também a parte interna da próstata. O tratamento está mais dolorido. Operei e estou me tratando com o BCG novamente. Dentro de alguns meses serei submetido à uma nova biópsia, pois os nódulos dessa vez eram bem maiores e profundos que em 2003.
Muita gente fala só no diagnóstico precoce do câncer quando nunca o teve. Reforço aqui a importância de, uma vez doente e tratado, a prevenção deve ser ainda mais cautelosa. Assim, com o avanço da medicina e das novas drogas, na reincidência da doença, as chances de sucesso no tratamento serão ainda maiores. Basta buscar ajuda.
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